O solo e a soja em Goiás


Junho 2021

Na quarta edição do Agro em Debate, Alaerson Geraldine, pesquisador do Instituto Federal Goiano falou sobre manejo de fitonematoides e doenças

Agrivalle, empresa do segmento de bioinsumos (produtos biológicos, nutrição vegetal, adjuvantes e inoculantes), realizou no dia 29 de junho a quarta edição do Agro em Debate sobre os impactos da sustentabilidade para o sojicultor.

Na ocasião, Alaerson Geraldine, pesquisador do Instituto Federal Goiano, discutiu sobre o manejo de doenças radiculares e fitonematoides na cultura da soja e trouxe alguns dados de pesquisas e estudos na macrorregião de Goiás.

O manejo de doenças radiculares e fitonematoides auxiliam a reduzir os impactos em plantas de diversas culturas e em especial na soja, uma das culturas mais acometida com problemas de nematóides e outras doenças. A dinâmica da ocorrência desses problemas, normalmente está relacionada ao desequilíbrio do solo, pelo excesso de utilização, o uso de culturas consórcio de mesmo tipo e a falta de regeneração do solo, ocasionam na diminuição da atividade microbiológica do solo, predominando doenças e patógenos que reduzem a produtividade da lavoura. “Mas, nem sempre o problema é um só. É muito comum fitopatógenos diferentes ou doenças e, até mesmo, ambos em associação serem os responsáveis pela queda de produtividade da sua lavoura de soja”, explica Alaerson.

Em contexto geral, os maiores problemas de doenças radiculares podem ser agravados com a presença de insetos que podem atacar as plantas, levando à morte. As raízes já estão fragilizadas por deficiência e altas populações de doenças e nematóides no solo, se tornando alvo fácil para pragas. “Esse é um movimento muito comum no início da soja, mas em estudos de campo recentes, vimos acontecer no final da safra, no momento do enchimento dos grãos, e isso é preocupante. Pois, não é comum problemas com fusarium, por exemplo, nessa fase final. O que mostra um desequilíbrio tão severo que deixou a resistência da planta tão fragilizada que não conseguiria tolerar a população de patógenos no solo”, resume.

Em um estudo realizado pelo pesquisador e parceiros foram coletadas amostras em diversas áreas de dentro e fora da testemunha e, foram encontrados cerca de oito problemas como Fusarium, Rhizoctonia, Pratylenchus e outros. Dentre as conclusões tiradas, uma delas é que os limitadores de produtividade estão no solo, através da alta população de patógenos.

“Outro trabalho que fizemos, na microrregião de Goiás, coletamos amostras em vários locais e os resultados encontrados foram muito alarmantes. Evidenciamos mais de 50% das áreas na faixa de moderada a alta presença de patógenos e ocorrência de doenças nas plantas por causa destes fitopatógenos”, pontua Alaerson.

A partir disso, o aprendizado que fica é sobre o quanto é importante considerar o manejo biológico destas áreas, para que haja a perspectiva de reequilibrar o solo, além da adição de microrganismos benéficos. Para finalizar, Alaerson explica que não adianta a ausência de plantas ou pousio da área. De fato, quando isso ocorre a população de patógenos diminui, mas não some, portanto, manejar de forma correta, utilizar o rodízio de culturas de consórcio e não se ater a uma apenas, bem como irrigar o solo com microrganismos benéficos são algumas das decisões que podem mudar o rumo produtivo na safra 21/22 do produtor de soja.