O solo e a importância da biologia para a produtividade


Junho 2021

Na quarta edição do Agro em Debate, Prof. Dr. em Biologia do solo ESALQ/USP Fernando Dini Andreote falou sobre microbiologia do solo como componente da sustentabilidade

Agrivalle, empresa do segmento de bioinsumos (produtos biológicos, nutrição vegetal, adjuvantes e inoculantes), realizou no dia 29 de junho a quarta edição do Agro em Debate sobre os impactos da sustentabilidade para o sojicultor.

Na ocasião, o Prof. e Dr. em Biologia do solo ESALQ/USP, Fernando Dini Andreote, discutiu sobre a microbiologia do solo como componente da sustentabilidade e o quanto a biologia é fator importante de compreensão para eficiência na agricultura.

A sustentabilidade nada mais é que a produção e a preservação dos componentes de produção, ou seja, tendo o solo como ator principal desta equação.

Como explica o Professor Andreote, o solo é um ambiente complexo e muito interessante, que possui características muito particulares. Há em sua estruturação muitas formas de vida distintas, e uma grande diversidade de espécies que em conjunto realizam funções importantes para gerir um sistema de eficiência na agricultura.

A biologia está inserida no solo de forma a conectar todas suas funções. Dentre elas, as microbianas, onde se encontra o casamento entre a parte biológica e química, os nutrientes e reciclagem de tudo que entra no solo, a fixação de nitrogênio, disponibilidade de fósforo, etc. Além disso, parte importante da estrutura é a incorporação de materiais orgânicos, a formação de biopóros, e a síntese de moléculas que permitem que o solo seja um ambiente confortável para o desenvolvimento das raízes. Através deste sistema haverá o estímulo de crescimento vegetal, e a proteção das plantas, tornando o solo muito mais confortável para o desenvolvimento da cultura e sua produção.

“Quando me perguntam, então, qual é o desafio? Na minha visão é a de agregar a biologia ao solo agrícola para se ter eficiência produtiva. Há diferença entre o solo nativo, para o da agricultura, este último é um ambiente modificado através de um novo ph, , mudança de regra de preparo e manejo, uma nova entrada de nutrientes e por isso, a estrutura biológica é diferente. Mas se conectarmos ele à biologia certamente haverá sustentabilidade agrícola”, explica Andreote.

E para que isso seja possível o Professor Andreote traz algumas práticas que podem auxiliar.

“As duas principais estratégias são os manejos que se conectam ao resto do sistema com a parte biológica do solo e o mercado de biológicos. Pensar na criação de um sistema de biodiversidade vegetal é a chave para produtividade”, diz o professor. Ou seja, a rotação de cultivos. Por exemplo, como foco principal está a soja e, no sistema mantêm-se plantas acessórias que vão preparar o solo, de forma que a soja encontre melhores condições para se desenvolver, e assim se torne mais produtiva. Afinal, em um sistema de biodiversidade vegetal existem novos microrganismos que acabam sendo contributivos para o controle e combate de patógenos que atacam a cultura principal.

Outro manejo é o do uso de plantas de cobertura. Esse tipo de manejo permitirá que haja componentes de diversidade, oportunidade e rusticidade suficientes para que aconteça a quebra dos desafios com patógenos, além de promover ao sistema produtivo da soja maior eficiência agronômica.

“Outra prática estabelecida é o mercado de produtos biológicos, que em promovendo inovações e se apresenta em grupos de produtos muito bem definidos como os inoculantes, (que suprem com nutriente), os biodefensivos (que protegem contra pragas e doenças) e, por último os repositores e ativadores (que atuam como condicionadores de solo). Eles ajudam a enriquecer a biota e promovem ainda melhores condições para as plantas se desenvolverem”, orienta Andreote.

Para que a agricultura tenha maior eficiência se faz necessário pensar na estrutura biológica do solo. Pois este entendimento trará mais ganhos para enraizamentos melhores, menos incidência de doenças e pragas de solo, menor degradação de defensivos, resultando em uma planta mais produtiva frente a uma constância no uso de insumos. Assim, pode-se dizer o quão rico é o conhecimento da biologia do solo e o quanto ele pode potencializar ainda mais o cultivo da soja.